No dia anterior, eu e minha coordenadora Marise, organizamos a sala onde seria desenvolvida a oficina. Criamos um clima nordestino, com uma ornamentação especial: um mural com motivos nordestinos, um varal com cordéis e diversos cartazes com fragmentos de poesias de cordel e xilogravuras.
Também providenciamos diversas músicas de repentistas nordestinos para mostrar que cordel não é repente.
Abaixo detalhamos as atividades desenvolvidas:
PAUTA:
1-Sensibilização;
2-Literatura de Cordel: conceitos básicos e características;
3-Literatura de Cordel: o trabalho com letras e palavras;
4- Oficina: lendo e escrevendo cordéis;
5- Avaliação.
OBJETIVOS:
- Caracterizar uma das formas de realização do gênero poético: o cordel.
- Incentivar a formação de leitores.
Cordelando, apresentamos o conceito de cordel.
O QUE É O CORDEL?
O cordel não é repente,Mas tem sua maestria,É escrito lentamente,É do povo, é poesia,Fala de tudo um pouco,Expõe o sábio, o louco,O que há ou o que havia.
Posteriormente, informamos que a literatura de CORDEL é uma manifestação da cultura popular tradicional, também chamada de folheto ou romance. No Brasil, nascida no interior do nordeste, espalhou-se por todo o país, pelo processo migratório do sertanejo-nordestino. De conteúdo muito diverso, essa literatura oral abrange inúmeras modalidades. O folheto é a forma tradicional de impressão. As capas, geralmente são feitas em xilogravura.
O QUE SÃO XILOS?
A partir dos cartazes com as xilogravuras, mostramos o que são os Xilos, destacamos que a confecção dos mesmos deve ser feita em pedaços de madeira, pois a placa de isopor é um material muito agressivo ao meio ambiente, de difícil reciclagem.
Explicamos que:
O nome CORDEL teve origem em Portugal, na Idade Média, porque os folhetos ficavam pendurados por cordões ou barbantes, em exposição. O mesmo hábito - e nome- continuou nas feiras do nordeste brasileiro, onde, ao mesmo tempo em que os folhetos são vendidos, os versos são declamados.
Ressaltamos que, atualmente, os cordéis também são vendidos nas livrarias, nos shopping, na internet, enfim...
Apresentamos as principais características da literatura de cordel, afirmando que:
1. Os versos mais populares são as sextilhas (estrofes com seis versos) setessilábicas (com sete sílabas em cada verso).
2. O CORDEL, tradicionalmente, conta uma história. (As histórias costumam narrar as dificuldades e sofrimentos de um herói, que, ao final, triunfa e será recompensado).
3. A história narrada num CORDEL geralmente apresenta uma situação de equilíbrio, desenvolve um conflito e termina restaurando o equilíbrio.
4. O CORDEL remete frequentemente a passagem bíblica ou “fantasia” lutas e conflitos entre o bem e o mal, em que o bem sempre vence.
5. Por manter um vínculo estreito com a oralidade, muitas vezes, o poeta CORDELISTA “chama” o leitor/ouvinte para tomar posição quanto ao tema. E para isso, ele se “apresenta” no texto.
6. Os textos dos CORDÉIS costumam ser longos para abarcar todas as peripécias, aventuras e desventuras do herói.
7. As imagens de capa dos livretos, geralmente xilogravuras artesanais, costumam também ser uma marca característica do CORDEL.
A cada explicação apresentávamos a leitura de uma estrofe de um cordel exposto no varal.
Também ouvimos fragmentos dos melhores desafios, dentre eles: galope a beira mar, mourão em desafio, martelo em desafio, desafio em decassílabo e outros...
Falamos sobre a forma da literatura de cordel e apresentamos exemplificações, destacando que:
A literatura de cordel apresenta características do gênero poético, com rima, métrica e disposição das informações em verso.
Finalmente, oportunizamos aos cursistas a leitura dos cordéis expostos. Os temas eram diversificados:
- HOMENAGEM AO PAI.
- O CANGACEIRO LAMPIÃO.
- HOMENAGEM A PERSONALIDADES.
- VEGETAÇÃO TÍPICA DO NORDESTE.
- SOBRE A GRAMÁTICA.
- SOBRE A LEITURA.
- AS RETIRADAS.
- SOBRE A MISÉRIA.
- AS BELEZAS NATURAIS DO BRASIL.
- O RACISMO.
- PREVENÇÃO ÀS DST.
- OBRA LITERÁRIA: URUPÊS -AUTOR: MONTEIRO LOBATO.
- OBRA LITERÁRIA: MORTE E VIDA SEVERINA - AUTOR: JOÃO CABRAL DE MELO NETO.
- REFORMA ORTOGRÁFICA.
Explicamos que o trabalho com a literatura de cordel é muito interessante e sugerimos o desenvolvimento de algumas atividades:
- Leitura de poemas populares;
- Audição e canto de músicas nordestinas;
- leitura de cordéis sobre temas recentes;
- Estimular o "soltar" a voz...
Os PROFESSORES, em grupos, podem representar uma feira do interior do nordeste. Cada grupo tentará "vender" seu folheto para os colegas, para isso eles terão que utilizar recursos da voz, do corpo e das emoções para conseguir o objetivo.
- Produção de cordéis, em grupos e outras.
Após um breve intervalo e um delicioso lanche, para retomar o tema, lemos, coletivamente, o poema de Manuel Bandeira – Cantadores do Nordeste e cantamos a música: Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor. ( Zé Ramalho e Otacílio Batista).
Finalizamos a oficina com a apresentação do filme: narradores de JAVÉ.
[1] RABELLO, Sílvio (1983). Euclides da Cunha. 3ªed.- Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
[2] SOUZA, Eloy (1983). O calvário das secas. 3ªed. – Rio de Janeiro: cátedra.